O momento que a torcida do São Paulo mais esperava em 2026 ocorreu. Julio Casares renunciou ao cargo de presidente na tarde desta quarta-feira (21). O agora ex-mandatário deixa o clube durante o processo de impeachment. Só restava a votação dos sócios para definir o futuro. Quem assume é Harry Massis Júnior, de 80 anos.
Casares já estava afastado da presidência após decisão do Conselho Deliberativo na última semana. O ex-presidente anunciou a renúncia nas redes sociais em um longo comunicado em que iniciou como “Carta à Comunidade São-Paulina”. Foram cinco anos à frente do São Paulo – o “atual” era o segundo mandato.
O mandato de Julio Casares, independentemente da renúncia ou impeachment, se encerraria ao término de 2026. O São Paulo conquistou o Campeonato Paulista de 2021, foi vice da Copa Sul-Americana e venceu a primeira Copa do Brasil na história. No entanto, a gestão, principalmente financeira, causou o desfecho inevitável.
O nome de Julio Casares, assim como de outros dirigentes do São Paulo, marcou as manchetes esportivas nos últimos meses por conta de escândalos. O ex-presidente em si estaria envolvido em um desvio dos cofres do clube com depósitos que totalizam R$ 11 milhões.
A mais recente polêmica, porém, não tem a presença de Julio Casares diretamente, ao que tudo indica. Trata-se da venda ilegal de camarotes para o show da Shakira no Morumbis em fevereiro de 2025. Os principais atores nesse caso foram a ex-esposa do então presidente, Mara Casares, e Douglas Schwartzmann.
Confira trechos da publicação de Casares:
“Nos últimos meses, o clube passou a viver um ambiente de intensa instabilidade, marcado por ataques reiterados, narrativas distorcidas e pressões externas que extrapolaram o debate institucional legítimo. O que se iniciou como versões frágeis e boatos foi sendo reiteradamente reproduzido, amplificado e, gradativamente, tratado como verdade, mesmo sem a apresentação de fundamentos consistentes ou provas robustas.”
“Não afirmo, neste momento, autoria, métodos ou responsabilidades específicas, até porque tais questões devem ser devidamente apuradas pelos órgãos competentes. Contudo, é impossível ignorar que houve articulações de bastidores, distorções deliberadas e uma trama política ardilosa, marcada por interesses, traições institucionais e expedientes incompatíveis com a história e os valores do São Paulo Futebol Clube — fatos que o tempo e a história haverão de registrar.”
“A decisão tomada por este Conselho encerra um processo de natureza política. Respeito essa decisão, ainda que dela discorde, e reafirmo, com absoluta convicção, que jamais pratiquei qualquer irregularidade. Minha renúncia não representa confissão, reconhecimento de culpa ou validação das acusações que me foram dirigidas.”
“Ao São Paulo Futebol Clube, amor de infância e da minha vida, jamais renunciarei. Renuncio, sim, ao ambiente de conspirações, distorções, mentiras e disputas de poder que ultrapassaram os limites democráticos e tentaram manchar trajetórias, biografias e a própria história do clube. Despeço-me com respeito, gratidão e amor permanente por esta instituição, que sempre honrarei.”